Publicado em
28/10/2026
Ágora Insights

Estratégia Mensal

Carteiras Recomendadas de ações

Novembro de 2026

Destaques do período

Cenário e estratégia

Análise de mercado

Existe uma diferença entre um mercado barato e um mercado em ajuste

Tempo de Leitura: 20 minutos

E, é justamente por isso, que outubro foi um mês de dois movimentos opostos.

O Ibovespa abriu o mês perto de 192 mil pontos e, no primeiro pregão depois do primeiro turno das eleições, saltou 7,70%, para 206.912. Foi a maior alta diária em seis anos, com máxima intradiária em torno de 209 mil, recorde histórico. O estrangeiro respondeu: foram R$ 10 bilhões de entrada apenas no dia 5, e o saldo chegou a R$ 20,15 bilhões até o dia 21, o segundo melhor mês do ano para o fluxo, atrás de janeiro. O dólar cedeu de R$ 5,21 para R$ 4,98. O índice chegou a 205 mil na véspera do segundo turno, com ganho de cerca de 7% entre os dois turnos, sendo a alta liderada por papéis sensíveis aos juros longos, como varejo, construção e educação.

A reprecificação, portanto, ocorreu sobre o prêmio de risco, não sobre os lucros

Na última segunda-feira (26), o desfecho eleitoral divergiu do que o mercado precificava. A B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020, e o índice fechou a sessão em queda de 13,88% (com mínima intradiária de 17%), enquanto o dólar subiu 8,21%, para cerca de R$ 5,40. O fluxo estrangeiro também virou: saíram R$ 6,8 bilhões líquidos nos pregões de 22, 23 e 26. Pelos dados da B3, o saldo do mês caiu para cerca de R$ 13 bilhões positivos – e esse é o retrato de um investidor que ainda não foi embora, mas deu sinais de inversão.

O argumento a favor é difícil de ignorar

Considerando os dados de consenso da Bloomberg, o Brasil negocia a 7,8x lucros projetados em 12 meses. É o segundo mercado mais barato do universo acompanhado, atrás apenas da Coreia do Sul (3,6x). O índice de emergentes está em 9,0x, o mundo em 15,8x e os Estados Unidos em 18,9x. Ou seja, o Brasil opera com um desconto de cerca de 50% sobre o mundo e de uns 13% sobre os pares emergentes. O ROE brasileiro (18,2%) é ligeiramente superior ao do conjunto emergente (17,0%). A Coreia, em boa medida, é uma história de lucros em forte expansão, que comprimem o múltiplo. O Brasil é diferente: aqui o múltiplo é baixo por desconfiança, refletida nos prêmios de riscos elevados, apesar de alguma resiliência no lucro (com grande contribuição do setor de energia, considerando a alta do petróleo).

Valuation por Região

Valuation dos principais Índices globais

O histórico confirma a distância

O P/L projetado do índice está em torno de 7,8x, abaixo da média de dez anos (10x) e a pouco mais de um desvio da faixa inferior (6,3x). Ele já esteve em 9,3x no início do ano.

Ibovespa (P/L últimos 10 anos)

Em uma análise de sensibilidade, a precificação atual (cerca de 170 mil pontos) corresponde a algo como 8,1x o lucro corrente. Com o lucro de hoje, um retorno aos 9x levaria o índice a 195 mil (+14%), e a média de dez anos a 217 mil (+26%). Mesmo um corte de 12% nos lucros, com os mesmos 9x, o índice estaria na região dos 171,7 mil. O desconto, portanto, dá certa folga mesmo se os balanços decepcionarem.

Análise de Sensibilidade
P/L esperadoLucro -12%Lucro -8%Lucro -5%Lucro atualLucro +5%Lucro +8%Lucro +12%
6,0x114,485119,689123,592130,097136,602140,505145,709
6,5x124,026129,663133,892140,939147,986152,214157,851
7,0x133,566139,638144,191151,780159,369163,922169,994
7,5x143,107149,612154,490162,621170,752175,631182,136
8,0x152,647159,586164,790173,463182,136187,340194,279
8,1x154,555161,581166,850175,631184,413189,682196,707
8,5x162,188169,560175,089184,304193,519199,048206,421
9,0x171,728179,534185,388195,146204,903210,757218,563
Fonte: Ágora Investimentos

O preço de hoje ainda reflete, em nossa opinião, uma maior incerteza em relação à dinâmica dos juros

É nessa aposta que mora o risco, e é por ela que o múltiplo seguirá a depender da curva de juros, não só do lucro.

Vem daí o calendário de novembro. No próximo dia 3 ocorrem as eleições legislativas nos Estados Unidos, com efeito potencial sobre dólar e juros globais. No dia 4, o Copom divulga a decisão e, mais importante, o tom sobre a trajetória. Em paralelo corre a temporada de balanços do terceiro trimestre, que testa a hipótese de lucro estável. Os três eventos mexem nos mesmos eixos: juros longos, prêmio de risco e lucros.

A postura mais coerente é de exposição ao risco, mas escalonado

O ponto de partida são empresas com caixa forte e ROE alto, que sustentam o lucro mesmo com juros altos por mais tempo. Elas são o contrapeso do cenário de lucros mais fracos, enquanto exportadores e dolarizados funcionam como seguro caso a aversão ao risco volte e o estrangeiro acelere a saída. Reforçamos a sugestão de uma postura mais cautelosa, buscando alocação em empresas de fundamentos sólidos e, mais uma vez, boas pagadoras de dividendos.

Para os próximos meses, o caminho do preço depende de duas coisas: do fluxo estrangeiro, que decidirá se a reprecificação é gradual ou abrupta, e da trajetória do juro de longo prazo, que decidirá se o patamar atual é piso ou teto.

Novembro não resolve nenhuma delas, mas ajuda a escolher entre elas

Quem espera clareza total costuma encontrá-la depois que o preço já andou. Quem entra sem nenhuma proteção costuma descobrir o tamanho do risco no pior momento. Entre um extremo e outro, está o investidor com tamanho de posição proporcional à sua convicção.

Se o Brasil está tão barato, e há anos assim, quem é que está de fato precificando o risco: o mercado, ou nós mesmos, que preferimos esperar o conforto de um Ibovespa mais caro?

Economia
Dalton Gardiman
Maria Clara Negrão

Estratégia Pessoas Físicas
Ricardo França*
Renato Chanes
Flávia Meireles
José Ricardo Rosalen
Henrique Procopio Colla
Lucas Marquetti
Larissa Monte

* Analista de valores mobiliários credenciado responsável pelas declarações nos termos do Art 21 da Resolução Nº20 da CVM

Índices setoriais

Ibovespa
-8,2%
Iconsumo
-14,0%
Ieeletrica
-9,9%
Ifinanceiro
-15,0%
Imat Basicos
-4,2%
Imobiliario
-19,1%
Industrial
-4,1%
Utilities
-9,9%

*até dia 28/10 · Retorno no mês · Fonte: Broadcast.

Bolsas internacionais
ÍndiceOutubro*2026
Ibovespa-8,2%6,1%
Dow Jones3,1%9,2%
S&P 5001,2%13,1%
DAX2,0%5,0%
CAC 40-1,0%-3,2%
FTSE1000,8%7,7%

Fonte: Broadcast

Performance Histórica

Divulgamos as nossas Carteiras Recomendadas dois dias úteis antes da virada do mês. Entendemos que faz sentido para o investidor saber qual será o racional das escolhas com tempo suficiente para tomada de decisão. Vale lembrar que as trocas de ativos nas Carteiras serão consideradas apenas na virada do mês, inclusive para fins de cálculo da rentabilidade. Assim, divulgamos hoje, 28 de outubro, as nossas Carteiras para novembro de 2026, mas a rentabilidade diária das novas carteiras será calculada apenas a partir do 1º dia útil de novembro.

Rentabilidade acumulada

Passe o cursor para consultar os valores. Clique na legenda para ocultar ou exibir uma série e arraste para ampliar um período. Duplo clique restaura o zoom.

Fonte: Ágora Investimentos

Rentabilidade anual e no mês · retornos por período
Carteira / índice201520172020202120222023202420252026*Outubro/2026*
Ibovespa-13,3%26,9%3,0%-11,9%4,7%22,3%-10,4%34,0%6,1%-8,2%
Arrojada-7,9%37,1%19,3%19,7%-30,3%47,4%-25,4%14,9%3,3%-14,9%
Dividendos-23,3%3,9%13,2%-5,1%11,8%9,0%0,8%43,3%3,4%-7,6%
Top 10-3,0%33,4%-8,7%-13,4%10,2%9,9%-9,7%56,7%7,7%-11,1%
Small Caps——-7,9%-30,4%-23,1%20,2%-32,4%48,9%-31,3%-18,3%

* Rentabilidade calculada até 28/10/2026 · Fonte: Ágora Investimentos

Composição das carteiras

Ágora Insights

Carteira Top 10

EntradasVIVT3 e CXSE3
SaídasALOS3 e BPAC11
CódigoEmpresaRecomendação
AXIA3AxiaCompra
B3SA3B3Compra
CSMG3CopasaCompra
CXSE3Caixa SeguridadeNeutra
ISAE4Isa EnergiaNeutra
PETR4PetrobrasCompra
SBSP3SabespCompra
VALE3ValeCompra
VBBR3Vibra EnergiaCompra
VIVT3Telefônica BrasilNeutra
Ágora Insights

Carteira Dividendos

EntradasVIVT3
SaídasALOS3
CódigoEmpresaRecomendação
CSMG3CopasaCompra
CXSE3Caixa SeguridadeNeutra
ISAE4Isa EnergiaNeutra
ITUB4ItaúCompra
VIVT3Telefônica BrasilNeutra
Ágora Insights

Carteira Arrojada

EntradasSUZB3
SaídasECOR3
CódigoEmpresaRecomendação
EMBJ3EmbraerCompra
PINE4Banco PineCompra
RDOR3Rede D'OrCompra
SUZB3SuzanoCompra
SBSP3SabespCompra
Ágora Insights

Carteira Small Caps

EntradasPINE4 e ALUP11
SaídasCYRE3 e YDUQ3
CódigoEmpresaRecomendação
ALUP11AluparNeutra
CSMG3CopasaCompra
JHSF3JHSFCompra
PINE4Banco PineCompra
SMFT3SmartfitCompra
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Relatório completo

Carteira Top 10

Tempo de Leitura: 39 minutos

Composição e indicadores
AtivoEmpresa / setorRecomendaçãoPesoPreço-alvo (R$)P/L 2026P/L 2027EV/EBITDA 2026EV/EBITDA 2027DY 2026E
AXIA3AxiaENERGIA ELÉTRICACompra10,0%79,0016,6x10,1x8,6x6,9x7,8%
B3SA3B3SERVIÇOS FINANCEIROSCompra10,0%20,0014,0x13,6x11,2x10,4x7,8%
CSMG3CopasaSANEAMENTOCompra10,0%78,0017,1x12,5x9,8x9,0x3,1%
CXSE3Caixa Seguridade*SEGUROSNeutra10,0%21,0013,3x12,1x——6,9%
ISAE4Isa EnergiaENERGIA ELÉTRICANeutra10,0%34,0010,9x11,1x7,3x6,3x8,0%
PETR4Petrobras*PETRÓLEO & DISTRIBUIDORES DE COMBUSTÍVEISCompra10,0%53,003,9x5,2x3,0x3,6x6,7%
SBSP3Sabesp*SANEAMENTOCompra10,0%40,0016,6x10,1x9,6x7,4x2,9%
VALE3Vale*MINERAÇÃOCompra10,0%97,007,7x6,5x4,8x4,4x7,7%
VBBR3Vibra EnergiaPETRÓLEO & DISTRIBUIDORES DE COMBUSTÍVEISCompra10,0%45,006,0x10,5x4,1x6,4x10,5%
VIVT3Telefônica Brasil*TELECOMUNICAÇÕESNeutra10,0%36,0013,3x10,5x4,0x3,7x8,4%

* Preço-alvo para 2027 · Fontes: Bloomberg; Bradesco BBI.

Estratégia e alterações do mês

A Top 10 é nossa Carteira Recomendada de ações que oferece maior diversificação, com composição mensal de 10 ativos de diferentes setores.

Para o mês de novembro, optamos por realizar duas alterações na composição do portfólio. Retiramos as ações ON da Allos (ALOS3) e as Units do BTG Pactual (BPAC11) e em seus lugares incluímos as ações ON da Telefônica Brasil (VIVT3) e da Caixa Seguridade (CXSE3).

Beta da carteira

Beta da carteira Top 10: anterior 1,21, atual 1,07. Escala de 0 a 2,00.0,001,002,00Anterior1,21Atual1,07

Fonte: Economatica.

AXIA3Compra

Axia

ENERGIA ELÉTRICA
Preço-alvo
R$ 79,00
Peso na carteira
10,0%
DY 2026E
7,8%
Tese de investimento

Mantemos uma visão positiva para a Axia Energia, sustentada pela exposição à recuperação estrutural dos preços de energia, pela alavancagem controlada e pela capacidade de remuneração aos acionistas. A revisão da estimativa de preço médio para 2027, de R$ 227/MWh para R$ 182/MWh, representa um vento contrário no curto prazo, mas não altera a premissa de R$ 225/MWh no longo prazo. Além disso, a duration estimada de 5,6 anos reduz a sensibilidade relativa da tese aos juros reais elevados. AXIA3 possui recomendação de Compra e preço-alvo de R$ 78,00 para 2027. Dividendos, recompras e eventual recuperação dos preços de energia podem sustentar a reprecificação das ações, enquanto a hidrologia, o PLD e a disciplina de capital permanecem como principais riscos.

B3SA3Compra

B3

SERVIÇOS FINANCEIROS
Preço-alvo
R$ 20,00
Peso na carteira
10,0%
DY 2026E
7,8%
Tese de investimento

A B3 é a infraestrutura do nosso mercado de capitais, concentrando negociação, liquidação e custódia, com margem EBITDA perto de 70% e diversificação de receitas em dados, tecnologia, balcão e financiamentos. No 2T26 o lucro recorrente foi de R$ 1,4 bilhão (alta de 8%), a receita chegou a R$ 3,1 bilhões (alta de 12%) e o volume médio diário de ações ficou em R$ 31,3 bilhões, 20% acima do ano anterior. O trimestre também marcou a volta das ofertas públicas, com o primeiro IPO em cinco anos e R$ 11,6 bilhões em ofertas no total. É uma das empresas que mais responde diretamente à queda da Selic: com juros menores, pessoa física e fundos voltam para a bolsa, o mercado de IPOs reabre e os volumes sobem — e boa parte desse volume extra vira lucro, porque a estrutura de custos é fixa. Estamos no começo desse movimento, com a Selic ainda em 13,75% e caindo. Enquanto isso, a diversificação de receitas ajuda a segurar o resultado nos trimestres mais fracos. Os riscos são a eventual entrada de concorrentes em negociação e a dependência do fluxo estrangeiro.

CSMG3Compra

Copasa

SANEAMENTO
Preço-alvo
R$ 78,00
Peso na carteira
10,0%
DY 2026E
3,1%
Tese de investimento

A Copasa combina potenciais ganhos de eficiência pós-privatização com um ciclo prolongado de investimentos para a universalização dos serviços até 2033. O primeiro reajuste tarifário anual após a privatização, esperado para dezembro, deve reduzir as incertezas sobre a aplicação das novas regras regulatórias e incorporar a remuneração dos investimentos realizados, além de possíveis bônus por desempenho operacional. No momento, CSMG3 negocia a 12,5x o múltiplo P/L e 9,0x EV/EBITDA para 2027. A confirmação do reajuste e a captura de eficiência operacional são os principais catalisadores, enquanto a execução dos investimentos, a trajetória dos custos e a evolução da alavancagem permanecem como pontos de acompanhamento.

CXSE3Neutra

Caixa Seguridade*

SEGUROS
Preço-alvo
R$ 21,00
Peso na carteira
10,0%
DY 2026E
6,9%
Tese de investimento

A Caixa Seguridade funciona como uma espécie de “pedágio” sobre a maior rede bancária do país. Ela não precisa de muito capital: recebe pela distribuição exclusiva de seguros, previdência, capitalização e consórcio nas agências da Caixa, e por isso entrega um retorno sobre patrimônio de cerca de 71%. No 2T26 o lucro gerencial foi de R$ 1,14 bilhão (alta de 9,5%), a receita cresceu 8,5%, a sinistralidade caiu para 24,2% e a empresa aprovou R$ 1,05 bilhão em dividendos — R$ 0,35 por ação, com data-com em 3 de novembro, equivalente a 92% do lucro. Com a Selic em queda, a renda fixa perde um pouco do brilho e um dividendo alto, previsível e crescente passa a valer mais em termos relativos. Além disso, o seguro habitacional, sua principal linha, acompanha o crédito imobiliário, que tende a acelerar com juros menores. O risco relacionado ao controle estatal e a possibilidade de interferência é reduzido pelo contrato de exclusividade de longo prazo com a Caixa.

ISAE4Neutra

Isa Energia

ENERGIA ELÉTRICA
Preço-alvo
R$ 34,00
Peso na carteira
10,0%
DY 2026E
8,0%
Tese de investimento

A ISA Energia combina previsibilidade de receitas, crescimento da RAP e carrego de dividendos. A companhia possui aproximadamente R$ 4,6 bilhões em projetos greenfield comprometidos entre 2026 e 2028, além de investimentos em reforços e melhorias que devem gerar receitas adicionais. Atualmente, ISAE4 negocia a 12,3x P/L e 7,5x EV/EBITDA para 2027, com dividend yield projetado de aproximadamente 7% para 2026. A execução dos projetos e o crescimento da RAP são os principais vetores da tese, enquanto os juros, a alavancagem e a execução do Capex permanecem como pontos de acompanhamento.

PETR4Compra

Petrobras*

PETRÓLEO & DISTRIBUIDORES DE COMBUSTÍVEIS
Preço-alvo
R$ 53,00
Peso na carteira
10,0%
DY 2026E
6,7%
Tese de investimento

A Petrobras segue na carteira como uma tese de geração de caixa e dividendos, com sensibilidade positiva ao petróleo em um contexto geopolítico complexo. Em sua última publicação de balanço, referente ao 2T26, a companhia divulgou bons números, acompanhados por dividendos elevados (cerca de 3% de yield no trimestre). Também foi destaque recente o anúncio da companhia sobre a descoberta de hidrocarbonetos em um poço exploratório no bloco FZA-M-59, em águas profundas offshore do Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas, dentro da Margem Equatorial brasileira. Vemos a descoberta como um marco geológico e técnico importante para a Petrobras e para o Brasil, mas ainda distante de representar uma produção comercial. O intervalo entre encontrar hidrocarbonetos e comprovar um campo economicamente viável é longo, especialmente em uma fronteira exploratória de alta complexidade, custo elevado e incerteza geológica relevante. Ainda assim, vemos o posicionamento atual em suas ações como bom mecanismo de diversificação em um cenário de preços elevados do petróleo.

SBSP3Compra

Sabesp*

SANEAMENTO
Preço-alvo
R$ 40,00
Peso na carteira
10,0%
DY 2026E
2,9%
Tese de investimento

Seguimos construtivos com a Sabesp, nossa principal recomendação no setor de saneamento, apoiados no potencial de ganhos de eficiência pós-privatização e no crescimento da Base de Remuneração Regulatória com o avanço dos investimentos para a universalização dos serviços até 2029. Embora o aumento das despesas operacionais em 2026 tenha pressionado os resultados, avaliamos que a maior parte desse impacto seja temporária, preservando a trajetória estrutural de crescimento da companhia. No momento, SBSP3 negocia a 10,1x o múltiplo P/L e 7,4x o EV/EBITDA para 2027. A revisão tarifária de dezembro e os leilões de novas concessões no início de 2027 permanecem como catalisadores, enquanto a normalização das despesas operacionais e a execução do plano de investimentos são os principais pontos de acompanhamento.

VALE3Compra

Vale*

MINERAÇÃO
Preço-alvo
R$ 97,00
Peso na carteira
10,0%
DY 2026E
7,7%
Tese de investimento

A Vale é uma das mineradoras de menor custo do mundo em minério de ferro, com o diferencial da qualidade do produto de Carajás, e vem construindo uma posição relevante em cobre e níquel, metais ligados à transição energética. É também uma empresa que historicamente devolve muito caixa aos acionistas: o dividend yield atual está perto de 9%, a média dos últimos cinco anos foi de 11%, houve pagamento em setembro e o próximo deve vir em dezembro. Além disso, o mercado já embute bastante pessimismo com China e demanda por aço, o balanço está pouco alavancado e a empresa tem espaço para recomprar ações a preços baixos. Em oposição, a Vale oferece proteção cambial, exposição ao ciclo global e uma remuneração que ainda compete com a renda fixa.

VBBR3Compra

Vibra Energia

PETRÓLEO & DISTRIBUIDORES DE COMBUSTÍVEIS
Preço-alvo
R$ 45,00
Peso na carteira
10,0%
DY 2026E
10,5%
Tese de investimento

Mantemos uma visão positiva para a Vibra Energia, que voltou a figurar entre nossas principais escolhas no setor diante de seu perfil defensivo, forte momento operacional e exposição ao crescimento da atividade doméstica. No 2T26, os volumes avançaram 4% em relação ao ano anterior, enquanto a margem EBITDA recorrente ajustada alcançou R$ 456/m³, ante R$ 258/m³ no trimestre anterior, contribuindo para a redução da alavancagem de 2,0x para 1,3x. A continuidade do combate à informalidade no mercado de combustíveis pode sustentar margens estruturais mais elevadas e novas revisões positivas de resultados. Em um cenário de margem EBITDA próxima de R$ 200/m³, a companhia negociava a 10,1x, múltiplo que poderia recuar para 8,0x caso a margem atingisse R$ 250/m³. A evolução das margens, o capital de giro e o desempenho da Comerc permanecem como principais pontos de acompanhamento.

VIVT3Neutra

Telefônica Brasil*

TELECOMUNICAÇÕES
Preço-alvo
R$ 36,00
Peso na carteira
10,0%
DY 2026E
8,4%
Tese de investimento

As ações VIVT3 passam a compor nossa Carteira Top 10 por combinarem uma sólida geração de caixa, baixa sensibilidade ao cenário macroeconômico e um perfil defensivo em um ambiente de juros longos mais elevados. Com a recente mudança de percepção do mercado, a tendência é favorecer empresas com geração de caixa mais imediata e menor exposição ao aumento do custo de capital, características que reforçam a atratividade da companhia. Além disso, revisamos nossas estimativas e mantivemos praticamente inalteradas as projeções de receita para 2026 e 2027, com ajustes apenas no mix entre receitas móveis e fixas para refletir novas estratégias comerciais. Seguimos projetando margens EBITDA resilientes, de 42,8% em 2026 e 43,9% em 2027, além de um crescimento do lucro líquido apoiado por melhores resultados financeiros e menor carga tributária. Apesar de esperarmos uma desaceleração moderada no crescimento orgânico da receita de serviços móveis, não vemos deterioração relevante do ambiente competitivo, enquanto as iniciativas comerciais da companhia devem sustentar uma expansão saudável das receitas e da rentabilidade. Dessa forma, enxergamos a Vivo como uma alternativa de qualidade para investidores que buscam previsibilidade de resultados, geração consistente de caixa e distribuição de dividendos em um cenário macroeconômico mais desafiador.

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Relatório completo

Carteira Dividendos

Tempo de Leitura: 21 minutos

Composição e indicadores
AtivoEmpresa / setorRecomendaçãoPesoPreço-alvo (R$)P/L 2026P/L 2027EV/EBITDA 2026EV/EBITDA 2027DY 2026E
CSMG3CopasaSANEAMENTOCompra20,0%78,0017,1x12,5x9,8x9,0x12,0%
CXSE3Caixa Seguridade*SEGUROSNeutra20,0%21,0013,3x12,1x——8,0%
ISAE4Isa EnergiaENERGIA ELÉTRICANeutra20,0%34,0010,9x11,1x7,3x6,3x6,9%
ITUB4ItaúBANCOSCompra20,0%45,009,2x8,3x——7,9%
VIVT3Telefônica Brasil*TELECOMUNICAÇÕESNeutra20,0%36,0013,3x10,5x4,0x3,7x8,4%

* Preço-alvo para 2027 · Fontes: Bloomberg; Bradesco BBI.

Estratégia e alterações do mês

A Carteira Dividendos, composta por cinco ativos, é focada na maior previsibilidade do fluxo de caixa gerado pelas empresas de sua composição, sendo a mais indicada para o investidor com perfil conservador, mas que tolere os riscos do investimento em renda variável. Ressaltamos a expectativa de retorno médio via dividendos de 8,6% para os próximos 12 meses (medido pelo dividend yield médio da carteira).

Para o mês de novembro, optamos por realizar uma alteração na composição do portfólio. Retiramos as ações ON da Allos (ALOS3) e em seu lugar incluímos as ações ON da Telefônica Brasil (VIVT3).

Beta da carteira

Beta da carteira Dividendos: anterior 0,92, atual 0,87. Escala de 0 a 2,00.0,001,002,00Anterior0,92Atual0,87

Fonte: Economatica.

CSMG3Compra

Copasa

SANEAMENTO
Preço-alvo
R$ 78,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
12,0%
Tese de investimento

A Copasa combina potenciais ganhos de eficiência pós-privatização com um ciclo prolongado de investimentos para a universalização dos serviços até 2033. O primeiro reajuste tarifário anual após a privatização, esperado para dezembro, deve reduzir as incertezas sobre a aplicação das novas regras regulatórias e incorporar a remuneração dos investimentos realizados, além de possíveis bônus por desempenho operacional. No momento, CSMG3 negocia a 12,5x o múltiplo P/L e 9,0x EV/EBITDA para 2027. A confirmação do reajuste e a captura de eficiência operacional são os principais catalisadores, enquanto a execução dos investimentos, a trajetória dos custos e a evolução da alavancagem permanecem como pontos de acompanhamento.

CXSE3Neutra

Caixa Seguridade*

SEGUROS
Preço-alvo
R$ 21,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
8,0%
Tese de investimento

A Caixa Seguridade funciona como uma espécie de “pedágio” sobre a maior rede bancária do país. Ela não precisa de muito capital: recebe pela distribuição exclusiva de seguros, previdência, capitalização e consórcio nas agências da Caixa, e por isso entrega um retorno sobre patrimônio de cerca de 71%. No 2T26 o lucro gerencial foi de R$ 1,14 bilhão (alta de 9,5%), a receita cresceu 8,5%, a sinistralidade caiu para 24,2% e a empresa aprovou R$ 1,05 bilhão em dividendos — R$ 0,35 por ação, com data-com em 3 de novembro, equivalente a 92% do lucro. Com a Selic em queda, a renda fixa perde um pouco do brilho e um dividendo alto, previsível e crescente passa a valer mais em termos relativos. Além disso, o seguro habitacional, sua principal linha, acompanha o crédito imobiliário, que tende a acelerar com juros menores. O risco relacionado ao controle estatal e a possibilidade de interferência é reduzido pelo contrato de exclusividade de longo prazo com a Caixa.

ISAE4Neutra

Isa Energia

ENERGIA ELÉTRICA
Preço-alvo
R$ 34,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
6,9%
Tese de investimento

A ISA Energia combina previsibilidade de receitas, crescimento da RAP e carrego de dividendos. A companhia possui aproximadamente R$ 4,6 bilhões em projetos greenfield comprometidos entre 2026 e 2028, além de investimentos em reforços e melhorias que devem gerar receitas adicionais. Atualmente, ISAE4 negocia a 12,3x P/L e 7,5x EV/EBITDA para 2027, com dividend yield projetado de aproximadamente 7% para 2026. A execução dos projetos e o crescimento da RAP são os principais vetores da tese, enquanto os juros, a alavancagem e a execução do Capex permanecem como pontos de acompanhamento.

ITUB4Compra

Itaú

BANCOS
Preço-alvo
R$ 45,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
7,9%
Tese de investimento

O Itaú tem escala, captação barata e, sobretudo, uma década de disciplina em crédito e custos. No 2T26 o ROE foi de 24,3% no consolidado e 25,7% no Brasil. O guidance para 2026 prevê margem com clientes crescendo entre 5% e 9% enquanto as despesas sobem entre 1,5% e 5,5% — ou seja, a receita cresce mais rápido que o custo, e isso se traduz em lucro. Num ciclo de queda de juros, o banco tende a se beneficiar da retomada do crédito e da melhora da inadimplência, e o excesso de capital que carrega hoje pode virar dividendo extraordinário ou recompra. A ação não está exatamente barata, mas negocia a múltiplos razoáveis para um negócio que cresce lucro acima da inflação ano após ano.

VIVT3Neutra

Telefônica Brasil*

TELECOMUNICAÇÕES
Preço-alvo
R$ 36,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
8,4%
Tese de investimento

As ações VIVT3 passam a compor nossa Carteira Dividendos por combinarem uma sólida geração de caixa, baixa sensibilidade ao cenário macroeconômico e um perfil defensivo em um ambiente de juros longos mais elevados. Com a recente mudança de percepção do mercado, a tendência é favorecer empresas com geração de caixa mais imediata e menor exposição ao aumento do custo de capital, características que reforçam a atratividade da companhia. Além disso, revisamos nossas estimativas e mantivemos praticamente inalteradas as projeções de receita para 2026 e 2027, com ajustes apenas no mix entre receitas móveis e fixas para refletir novas estratégias comerciais. Seguimos projetando margens EBITDA resilientes, de 42,8% em 2026 e 43,9% em 2027, além de um crescimento do lucro líquido apoiado por melhores resultados financeiros e menor carga tributária. Apesar de esperarmos uma desaceleração moderada no crescimento orgânico da receita de serviços móveis, não vemos deterioração relevante do ambiente competitivo, enquanto as iniciativas comerciais da companhia devem sustentar uma expansão saudável das receitas e da rentabilidade. Dessa forma, enxergamos a Vivo como uma alternativa de qualidade para investidores que buscam previsibilidade de resultados, geração consistente de caixa e distribuição de dividendos em um cenário macroeconômico mais desafiador.

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Relatório completo

Carteira Arrojada

Tempo de Leitura: 25 minutos

Composição e indicadores
AtivoEmpresa / setorRecomendaçãoPesoPreço-alvo (R$)P/L 2026P/L 2027EV/EBITDA 2026EV/EBITDA 2027DY 2026E
EMBJ3EmbraerBENS DE CAPITALCompra20,0%126,0024,8x21,1x12,3x10,3x1,1%
PINE4Banco PineBANCOSCompra20,0%18,004,5x3,9x——11,1%
RDOR3Rede D'OrSAÚDECompra20,0%45,0017,4x14,3x6,9x6,3x0,9%
SUZB3SuzanoPAPEL & CELULOSECompra20,0%59,004,6x11,5x6,1x5,5x5,2%
SBSP3Sabesp*SANEAMENTOCompra20,0%40,0016,6x10,1x9,6x7,4x2,9%

* Preço-alvo para 2027 · Fontes: Bloomberg; Bradesco BBI.

Estratégia e alterações do mês

A Carteira Arrojada, constituída por cinco ações, é o portfólio que normalmente apresenta o maior nível de risco e o maior potencial de valorização em um cenário positivo para a bolsa.

Para o mês de novembro, optamos por realizar uma alteração na composição da carteira. Retiramos as ações ON da EcoRodovias (ECOR3) e em seus lugares incluímos as ações ON da Suzano (SUZB3).

Beta da carteira

Beta da carteira Arrojada: anterior 0,74, atual 0,66. Escala de 0 a 2,00.0,001,002,00Anterior0,74Atual0,66

Fonte: Economatica.

EMBJ3Compra

Embraer

BENS DE CAPITAL
Preço-alvo
R$ 126,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
1,1%
Tese de investimento

Seguimos construtivos com a Embraer, sustentados pela combinação entre uma carteira de pedidos(backlog) recorde, que garante elevada visibilidade de receitas para os próximos anos, e uma base de receitas majoritariamente dolarizada, que atua como proteção natural contra oscilações do ambiente doméstico. O backlog atingiu US$ 35,7 bilhões no 3T26, alta de 14% em relação ao ano anterior, contemplando cerca de cinco anos de produção na Aviação Comercial e três anos na Aviação Executiva. Esse horizonte de contratação reduz incertezas sobre a trajetória de crescimento da companhia e sustenta a perspectiva de expansão de margens e maior disciplina de preços. Estimamos crescimento médio anual próximo de 20% para o EBIT ajustado entre 2026 e 2028, impulsionado por maiores volumes e margens. EMBJ3 negocia a 9,3x EV/EBITDA projetado para 2027, com desconto de aproximadamente 25% em relação aos pares globais, enquanto o preço-alvo de R$ 126,00 para o final de 2027 reforça a atratividade da tese. Novos pedidos de aeronaves comerciais, as campanhas internacionais do KC-390 e o avanço da Eve em direção à certificação representam potenciais catalisadores, enquanto a execução do aumento das entregas, a cadeia de suprimentos e o ritmo de conversão da carteira em receitas permanecem como principais pontos de acompanhamento.

PINE4Compra

Banco Pine

BANCOS
Preço-alvo
R$ 18,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
11,1%
Tese de investimento

O Pine vem mudando de perfil nos últimos anos: deixou de ser um banco de atacado concentrado em grandes empresas e passou a atuar em linhas mais rentáveis e pulverizadas, como consignado privado, cartões e middle market. Os resultados mostram que a mudança está funcionando. No 2T26 o lucro foi de R$ 165,7 milhões, praticamente o dobro do ano anterior, com ROE de 37,5% e carteira de R$ 21,8 bilhões — 40% maior em doze meses. No semestre, o lucro já soma R$ 315,6 milhões. A queda da Selic ajuda em duas frentes: barateia a captação e, com o tempo, melhora a capacidade de pagamento dos tomadores. O ponto que merece atenção é a inadimplência, em 2,7% e em alta, algo natural quando a carteira cresce nesse ritmo. A tese depende de o banco manter rentabilidade quando esse crédito novo amadurecer. Ainda assim, ter um banco que cresce 40% ao ano com retorno acima dos grandes, negociado a preço de banco pequeno, é uma oportunidade pouco comum.

RDOR3Compra

Rede D'Or

SAÚDE
Preço-alvo
R$ 45,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
0,9%
Tese de investimento

A Rede D’Or segue como uma tese de crescimento apoiada na expansão operacional dos hospitais, na captura de sinergias da SulAmérica e na melhora gradual da sinistralidade. Embora o ritmo de abertura de leitos esteja abaixo do inicialmente projetado, o ticket médio mais elevado sustenta o crescimento da receita hospitalar, enquanto a margem EBITDA do segmento deve alcançar 24,8% em 2027. Na SulAmérica, a provisão de IBNR (sinistro ocorrido mas não avisado) caiu de 4,5% da receita no 1T26 para 2,9% no acumulado de 12 meses, ainda acima da média histórica de 1,7%, deixando um potencial adicional de melhora da sinistralidade de aproximadamente 1,2 ponto percentual. Por outro lado, a sinistralidade do 2T26 foi pressionado por R$ 372 milhões em outras provisões técnicas, impacto considerado majoritariamente não recorrente e que impediu uma melhora adicional de até 4,5 pontos percentuais no indicador. Para 2027, estimamos uma sinistralidade de 77,6%, ante 78,4% atualmente, sendo que cada redução adicional de 1 ponto percentual poderia acrescentar cerca de R$ 230 milhões, ou 4%, ao lucro líquido da Rede D’Or. Com projeção de lucro líquido de R$ 5,7 bilhões, EBITDA de R$ 13,0 bilhões, alavancagem inferior a 1,0x e P/L de 14,3x para 2027, a tese permanece sustentada por ativos de alta qualidade, crescimento dos resultados e potencial adicional de eficiência, ainda que o menor saldo de IBNR limite parte da opcionalidade futura na SulAmérica.

SUZB3Compra

Suzano

PAPEL & CELULOSE
Preço-alvo
R$ 59,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
5,2%
Tese de investimento

A Suzano é a maior produtora de celulose de eucalipto do mundo e também a mais barata para produzir: o custo caixa ficou em R$ 843 por tonelada no 2T26, com floresta própria e o Projeto Cerrado já rodando em plena capacidade. Isso importa porque celulose é um negócio cíclico, e quem tem o menor custo é quem sobrevive bem aos períodos ruins e ganha muito nos bons. O momento atual é justamente um período ruim: lucro de R$ 1,8 bilhão no trimestre (queda de 64% em um ano), EBITDA de R$ 4,7 bilhões e margem de 41%, pressionados por real forte e preço baixo da celulose. Mas na comparação com o trimestre anterior os números melhoraram, com preços e volumes subindo, o que costuma indicar que o pior ficou para trás. A ação negocia a cerca de 7 vezes o lucro e 1,2 vez o patrimônio, com dívida em 3,4 vezes o EBITDA — dentro do que consideramos confortável. O que torna a posição interessante hoje é que o preço reflete o ciclo fraco, não o que a empresa gera de caixa em condições normais. Qualquer recuperação da celulose ou enfraquecimento do real aparece rápido no resultado.

SBSP3Compra

Sabesp*

SANEAMENTO
Preço-alvo
R$ 40,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
2,9%
Tese de investimento

Seguimos construtivos com a Sabesp, nossa principal recomendação no setor de saneamento, apoiados no potencial de ganhos de eficiência pós-privatização e no crescimento da Base de Remuneração Regulatória com o avanço dos investimentos para a universalização dos serviços até 2029. Embora o aumento das despesas operacionais em 2026 tenha pressionado os resultados, avaliamos que a maior parte desse impacto seja temporária, preservando a trajetória estrutural de crescimento da companhia. No momento, SBSP3 negocia a 10,1x o múltiplo P/L e 7,4x o EV/EBITDA para 2027. A revisão tarifária de dezembro e os leilões de novas concessões no início de 2027 permanecem como catalisadores, enquanto a normalização das despesas operacionais e a execução do plano de investimentos são os principais pontos de acompanhamento.

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Relatório completo

Carteira Small Caps

Tempo de Leitura: 21 minutos

Composição e indicadores
AtivoEmpresa / setorRecomendaçãoPesoPreço-alvo (R$)P/L 2026P/L 2027EV/EBITDA 2026EV/EBITDA 2027DY 2026E
ALUP11AluparENERGIA ELÉTRICANeutra20,0%40,0015,8x11,3x7,9x8,3x5,0%
CSMG3CopasaSANEAMENTOCompra20,0%78,0017,1x12,5x9,8x9,0x12,0%
JHSF3JHSFSHOPPINGS E IMOBILIÁRIO COMERCIALCompra20,0%15,007,0x5,0x6,2x4,5x6,9%
PINE4Banco PineBANCOSCompra20,0%18,004,5x3,9x——11,1%
SMFT3SmartfitCONSUMO E VAREJOCompra20,0%30,0011,9x8,6x5,4x3,0x4,4%

* Preço-alvo para 2027 · Fontes: Bloomberg; Bradesco BBI.

Estratégia e alterações do mês

A carteira é composta por cinco ativos com características de Small Caps, ou seja, empresas de menor capitalização. Nessa carteira consideramos ativos que façam parte, no momento da divulgação do portfólio, do índice de Small Caps (SMLL) da B3 e/ou eventuais outros ativos que atendam a tal característica.

Para novembro, optamos por realizar duas trocas na composição da carteira. Retiramos as ações ON da Cyrela (CYRE3) e da Yduqs (YDUQ3), e em seus lugares incluímos as ações PN do Banco Pine (PINE4) e as Units da Alupar (ALUP11).

Beta da carteira

Beta da carteira Small Caps: anterior 0,77, atual 0,80. Escala de 0 a 2,00.0,001,002,00Anterior0,77Atual0,80

Fonte: Economatica.

ALUP11Neutra

Alupar

ENERGIA ELÉTRICA
Preço-alvo
R$ 40,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
5,0%
Tese de investimento

A Alupar combina elevada previsibilidade de receitas, contratos corrigidos pela inflação e distribuição recorrente de dividendos, características que reforçam o perfil defensivo da ação. A baixa exposição à atividade econômica confere maior estabilidade à geração de caixa, enquanto a entrada em operação dos projetos em implantação deve sustentar o crescimento gradual da RAP. No momento, ALUP11 negocia a aproximadamente 16x o múltiplo P/L e 7,3x EV/EBITDA para 2027, com dividend yield projetado de 5% para 2026 e 6% para 2027. O principal atrativo da ação está no carrego de dividendos, na proteção inflacionária e na resiliência dos resultados, enquanto a execução dos projetos, a alavancagem e a disciplina de capital permanecem como pontos de acompanhamento.

CSMG3Compra

Copasa

SANEAMENTO
Preço-alvo
R$ 78,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
12,0%
Tese de investimento

A Copasa combina potenciais ganhos de eficiência pós-privatização com um ciclo prolongado de investimentos para a universalização dos serviços até 2033. O primeiro reajuste tarifário anual após a privatização, esperado para dezembro, deve reduzir as incertezas sobre a aplicação das novas regras regulatórias e incorporar a remuneração dos investimentos realizados, além de possíveis bônus por desempenho operacional. No momento, CSMG3 negocia a 12,5x o múltiplo P/L e 9,0x EV/EBITDA para 2027. A confirmação do reajuste e a captura de eficiência operacional são os principais catalisadores, enquanto a execução dos investimentos, a trajetória dos custos e a evolução da alavancagem permanecem como pontos de acompanhamento.

JHSF3Compra

JHSF

SHOPPINGS E IMOBILIÁRIO COMERCIAL
Preço-alvo
R$ 15,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
6,9%
Tese de investimento

A JHSF combina uma plataforma diversificada de ativos voltados à alta renda com forte crescimento das receitas recorrentes e elevada visibilidade para a incorporação. Nos shoppings, a ocupação permanece elevada e os aluguéis nas mesmas lojas seguem crescendo acima da inflação, evidenciando a resiliência operacional dos ativos. A venda de R$ 5,2 bilhões em estoques para o FII JCDI11 reforça a previsibilidade dos resultados da incorporação, com cerca de R$ 1,7 bilhão ainda a reconhecer a partir de junho de 2026, além de sustentar a monetização gradual de um banco de terrenos com VGV potencial de aproximadamente R$ 28 bilhões. A companhia também mantém posição de caixa líquido de R$ 1,2 bilhão e flexibilidade para executar seu pipeline de crescimento. Por outro lado, a continuidade dos investimentos em expansões de shoppings, aviação executiva, hospitalidade e novos projetos residenciais mantém a geração de caixa de curto prazo pressionada, especialmente em um cenário de juros elevados por mais tempo.

PINE4Compra

Banco Pine

BANCOS
Preço-alvo
R$ 18,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
11,1%
Tese de investimento

O Pine vem mudando de perfil nos últimos anos: deixou de ser um banco de atacado concentrado em grandes empresas e passou a atuar em linhas mais rentáveis e pulverizadas, como consignado privado, cartões e middle market. Os resultados mostram que a mudança está funcionando. No 2T26 o lucro foi de R$ 165,7 milhões, praticamente o dobro do ano anterior, com ROE de 37,5% e carteira de R$ 21,8 bilhões — 40% maior em doze meses. No semestre, o lucro já soma R$ 315,6 milhões. A queda da Selic ajuda em duas frentes: barateia a captação e, com o tempo, melhora a capacidade de pagamento dos tomadores. O ponto que merece atenção é a inadimplência, em 2,7% e em alta, algo natural quando a carteira cresce nesse ritmo. A tese depende de o banco manter rentabilidade quando esse crédito novo amadurecer. Ainda assim, ter um banco que cresce 40% ao ano com retorno acima dos grandes, negociado a preço de banco pequeno, é uma oportunidade pouco comum.

SMFT3Compra

Smartfit

CONSUMO E VAREJO
Preço-alvo
R$ 30,00
Peso na carteira
20,0%
DY 2026E
4,4%
Tese de investimento

Em um setor de consumo ainda pressionado, a SmartFit se destaca pela combinação de crescimento orgânico, maturação das unidades abertas e maior capacidade de monetização via TotalPass. A companhia segue sustentada pela expansão acelerada da rede, pela evolução positiva de preços e pelo fortalecimento do ecossistema TotalPass, incluindo o novo plano TP2+, que amplia a flexibilidade de posicionamento entre planos e pode contribuir para melhor gestão de receita. A empresa abriu 63 novas academias no segundo trimestre de 2026 (98 no 1S26), com a projeção de expansão da empresa dentro do esperado (134 academias já em fase de construção e 200 locais já alugados). Continuamos vendo a ação como uma das oportunidades mais atraentes de carrego dentro da nossa cobertura, sustentada por uma combinação convincente de crescimento e retorno, além do múltiplo PEG mais atrativo entre 2026 e 2028 estimado (0,4x) entre as empresas do universo analisado. Os principais pontos de acompanhamento seguem sendo a evolução da competição, a maturação da expansão, a dinâmica de preços e a monetização do TotalPass.

Economia & Research Ágora Investimentos

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Maria Clara W. F. Negrão

Maria Clara W. F. Negrão
Economista, CNPI

Dalton Gardiman

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Ricardo Faria França

Ricardo Faria França
CNPI – Analista de Investimentos

Renato Cesar Chanes

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CNPI – Analista de Investimentos

Flávia Andrade Meireles

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CNPI – Analista de Investimentos

Larissa Fidelis Monte

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CNPI - Analista de Investimentos

José Ricardo Rosalen Filho

José Ricardo Rosalen Filho
CNPI-P – Analista de Investimentos

Lucas Marquetti, CFA

Lucas Marquetti, CFA
CNPI – Analista de Investimentos

Ernani T. Reis

Ernani T. Reis
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Análise Gráfica

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Henrique Procopio Colla
CNPI-P – Analista de Investimentos

Diretoria Ágora

Rui Miguel Aleixo Marques

Rui Miguel Aleixo Marques
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